Data para reflexão
Especialistas da Ulbra dão dicas para inclusão de pessoas com Down
Acessibilidade e reconhecimento das potencialidades são fundamentais

Mais do que uma data de conscientização, o Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado neste 21 de março, reforça a necessidade de ampliar espaços e oportunidades. Embora avanços tenham sido conquistados, os desafios da inclusão ainda são muitos, tanto no mercado de trabalho quanto na vida em sociedade.
A acessibilidade plena e o reconhecimento das potencialidades desses indivíduos são temas centrais para a construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva, onde a diversidade não seja apenas aceita, mas valorizada, de acordo com a especialista em acessibilidade Hiltrud Elert, integrante do Núcleo de Acessibilidade da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). Segundo ela, os desafios começam ainda em casa. "As famílias têm a dificuldade da aceitação, mas elas têm que enxergar o seu filho em condições de conseguir alcançar objetivos na vida", explica a especialista.
Neste sentido, o estímulo desde a primeira infância é essencial, segundo a professora e psicopedagoga Mara Lúcia Salazar Machado, do Núcleo de Apoio ao Discente (NADi) da Ulbra. "Se a criança já vai para a estimulação precoce, cada vez mais cedo a gente percebe que questões neuropsicomotoras já estão praticamente se equiparando às de crianças que não têm a síndrome, porque eles começam com uma carga tão grande de estimulação no corpo, na linguagem, na fala e no pensamento, que eles já vão para a educação infantil com competências muito bem desenvolvidas", explica.
Desafios ainda são muitos
Segundo a professora, muito já se evoluiu, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. "Por mais que se esteja muito longe de uma excelência na inclusão, existe uma caminhada, principalmente com relação à acessibilidade atitudinal e ao trabalho com os comportamentos e as aprendizagens cognitivas", adiciona Mara.
Um dos maiores avanços foi a instituição da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência. Aprovada em 2015, a legislação representa um avanço na luta pelos direitos das pessoas com deficiência ao estabelecer uma série de garantias para assegurar a inclusão e a acessibilidade em diversas áreas da sociedade. Na educação, a lei reforça o direito à matrícula em escolas regulares e exige adaptações para garantir um aprendizado adequado. No mercado de trabalho, as empresas devem promover um ambiente acessível e inclusivo, além de seguir regras de cotas para a contratação de profissionais com deficiência.
Para Hiltrud, as novas legislações têm trazido novas possibilidades, mas ainda é preciso fazer mais. "Apesar da legislação prever que a inclusão é universal para todos, tem que haver adaptações existentes. Tudo tem que ser trabalhado, e é um desafio enorme já na escolarização, e depois passando para o mercado de trabalho, dos adultos, jovens e adolescentes, que querem, sim, ter um lugar no mercado de trabalho", adiciona.
Ações podem transformar realidade
Neste sentido, as especialistas destacam que a adaptação é o primeiro passo para uma inclusão efetiva, da escola ao Ensino Superior e ao mercado de trabalho. Segundo a professora Mara, a tendência de superproteção limita as pessoas com Down, e acaba não potencializando tudo aquilo que ele pode fazer. "Na escola, é fundamental olhar não somente para as dificuldades, mas para as possibilidades que a criança tem e investir naquilo, só que não no tempo dos outros. Uma adaptação fundamental é a não comparação, pois isso acaba com essas crianças e com essas famílias", expõe.
Para a professora Hiltrud, a principal dica passa pela humanização. Segundo ela, ver a pessoa com Down, como ela realmente é, é o primeiro passo para a inclusão. "Enxergar o que ela tem e oferecer, dentro dessas possibilidades, tanto na escola, que ela tem um plano adaptado de aula, quanto no trabalho, orientando, exigindo e dando limites, não apenas protegendo", conclui.
Marcelo Monteiro
Assessoria de Comunicação Ulbra
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