Desde que as informações sobre o coronavírus têm sido divulgadas, muito tem se falado sobre os cuidados que devemos ter para evitar o contágio. Mas a disseminação do vírus provoca uma série de mudanças comportamentais e sociais. Há alterações na economia, nas relações de consumo, impactos gerados pelas fakenews, entre muitos outros cenários. É por isso que, a partir desta segunda-feira, 16, a Ulbra publica uma série de matérias sobre o tema, discutindo o vírus além da saúde com especialistas professores da Universidade.
Tratado como uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a disseminação do COVID-19 pode causar transtornos psicológicos na população. O quadro pode atingir, principalmente, aqueles que estão infectados e necessitam de isolamento social, e os ansiosos ou com predisposição à doença.
Há mais de 10 anos que o mundo não passava por uma pandemia e este diagnóstico alarma grande parte da população. De acordo com a docente do curso de Psicologia da Ulbra, Fernanda Pasquoto, é imprescindível que as pessoas compreendam que todas as ações vêm sendo tomadas em função de uma prevenção, a fim de evitar um contágio maior.
Isolamento pode trazer impactos
O isolamento devido ao contágio por COVID-19 pode suceder em transtornos psicológicos graves, como a depressão e ansiedade. Para Fernanda, isto tem precedente nos padrões de comportamento e nos tipos de relação que os brasileiros criaram ao longo do tempo. "O povo não está acostumado ao isolamento. Somos um país de contato, com a cultura de abraçar, beijar, pegar na mão, dividir chimarrão, garrafas, enfim".
Estas questões podem afetar tanto o psicológico quanto promover desconfortos corporais, como dificuldades para dormir ou acordar, dores no peito e na cabeça. Como forma de driblar estes sintomas, a psicóloga assegura que é importante realizar uma filtragem nas informações sobre o vírus, principalmente enquanto somos bombardeados por fake news.
"Tem que ser dado preferência para as notícias de cunho oficial e não ficar monitorando o assunto a todo o instante, porque desta forma chegamos em informações díspares que podem agravar os casos de ansiedade", orientou. É imprescindível, segundo a docente, procurar profissionais da área da saúde no momento em que se sente sintomas de qualquer alteração psicológica. Estes, realizam uma avaliação e auxiliam na diminuição destes sinais.
Fernanda destacou, ainda, o impacto desta pandemia no nosso sistema de saúde, que acaba por ficar lotado e sobrecarregando o trabalho dos profissionais. "Pode ocorrer uma estafa de trabalho", chama a atenção. Neste caso, há grandes chances de se desenvolver ou agravar questões psicológicas nos trabalhadores, que além das horas trabalhadas ainda estão na linha de frente para a contaminação. "Para eles, além de ficarem atentos aos sintomas tradicionais, tem que ser extremamente valorizados uma boa noite de sono, cuidados com a alimentação e realização de exercícios físicos. É importante que, para cuidar dos outros, estejamos cuidando mais ainda de nós mesmos", finalizou.
Emily Ebert
Estagiária de Jornalismo da Ulbra Canoas
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